Outra madrugada, outra vez você.
Você me bagunça, se aloja nos meus pensamentos, acha vazios
e se apropria. Preenche.
Traz paz e me tira o sossego. Com sua certeza, me dá
insegurança.
Dissimula, ironiza, pinta, borda e brinca. Fala sério
também. Ganha.
Derruba barreiras, quebra fronteiras, e por fim, titubeia.
Você abusa, me usa, se aproveita de mim.
Eu observo demais, falo demais, demonstro demais, acabei também
te querendo demais. Perdi.
Do desassossego da sua ausência, na insistência sem fé
alguma, você me tira o rumo e o prumo, vira meu mundo.
Eu te visualizo, sensualizo, brinco de ser, fingindo não te
querer. Querendo.
Me confundo. Faço planos e me desfaço. Tropeço e caio. Devaneio. Divagueio.
Entre beijos, desejos. Entre coxas, mãos bobas. Entre eu e
você, mais nada.
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