Eu não sabia teu nome, mas eu vi teu olhar. Eu ouvi tua voz e tua história, eu guardei suas palavras comigo.
Então eu te vi de novo, eu reconheci sua voz e pude então saber teu nome. Você foi apresentado, mas não a mim.
Você me chamou, mas ainda não sabia meu nome. Eu pude te olhar de perto, desenhar teus gestos, acompanhar as batidas dos teus pés que seguiam a música, eu pude sorrir ao te ver entrando.
O teu jeito de arrumar o cabelo, teu sorriso tímido, o seu bico para brincar com a criança, sua forma de posicionar o violão. Seus olhos fechados para cantar, tão fechados que mal consigo saber a cor deles.
Eu fui te vendo e a cada novo encontro eu podia te estudar. Eu comecei a rezar por você, que nem sabia quem eu era. Eu comecei a interceder por tua vocação, eu começava a ter lembranças das vezes que te via.
Bastava cruzar meu olhar com o teu para me sentir bem. Eu não sabia o que era e questionei por muito tempo a Deus se eu podia te querer. Sozinha, decidi me afastar.
Eu estava na academia quando recebi a notificação que você havia me adicionado. Naquele dia não consegui treinar, voltei pra casa e me coloquei novamente em oração. Eu precisava rezar por você e por um nós que não tem data para existir.
Eu rezei, rezei muito. Rezei para que eu não te afastasse do teu caminho. Rezei para que Deus curasse meu coração, que eu estivesse pronta pra te receber se fosse a hora. Rezei por uma noite inteira, até faltar palavras, até o sono chegar.
Rezei para entender a curtida na foto, o olhar de canto de olho. Rezei para entender porque só os olhos se cruzavam e as nossas vidas não. Para entender porque não agora.
De tanto rezar, consegui ver a cor dos seus olhos, consegui teu abraço. Consegui ver que você também me via.
Rezei até que eu descobrir que não importa, se é sua amiga ou sua namorada, eu apenas quero ser sua.
Eu rezei e vou continuar rezando, porque assim como esse texto não tem fim, as minhas orações por mim, por você e por nós também não terão.

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