sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Arquivo não enviado.

Um dia você vai acordar e vai ver as chances que desperdiçou, as pessoas que descartou e os sentimentos que objetificou.
Um dia você vai perceber que os nossos melhores sonhos, são os menores e mais simples de serem realizados, que a beleza da vida ainda encontra-se nas coisas mais singelas.
Você vai entender que é muito bom poder ir, usando da liberdade, mas é vazio se você não tiver para onde voltar.
Irá dar valor a um bom dia, de um carinho no cabelo e de uma torta feita com amor, ou aquele visita surpresa com os lanches que você tava com vontade de comer.
Você vai sentir falta de alguém que torça por você, que te faça alcançar seus objetivos e dividir sua vitória, porque mais cedo ou mais tarde vai entender que ninguém é feliz sozinho.
Quando você menos esperar, todos os seus sonhos estarão realizados, todos os propósitos e planos feitos não feitos já estarão concretizados. E então você vai lembrar de mim, dos momentos que você não aproveitou enquanto se preocupava com essa falsa liberdade, enquanto estudava a outra pessoa se desvencilhando das possibilidades de se envolver. Frio e calculista.
O difícil te encanta, não por sua dificuldade, mas pelo desprendimento que aquilo vai te proporcionar. E eu, sempre tão fácil.
Um dia, tarde ou não, seus olhos vão se abrir, então você vai entender que nunca foi, nem é, livre.
Só é livre de verdade quem sabe a quem pertence.


quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Da falta que a falta faz.

Sinto sua falta.

Sinto falta de fazer par contigo, sinto falta das nossas conversas, dos conselhos e puxões de orelha.
De amanhecer e partilhar meus sonhos, ou faltas de sono.
Falta de te contrariar e fazer planos.
Planos para nós, para o final de semana, para uma vida juntos.

E te contrariar de novo. E discordar de você, te chamar de cara lisa, dizer que você é doido.
Sinto não te fazer meu primeiro e último pensamento (feliz) do dia.
Era tão bom ver como éramos juntos, ninguém poderia dizer que não daria certo, nos transbordávamos.

Quem diria que nos tornaríamos dois estranhos, que não saberíamos nos tocar nem conversar no telefone. Que teríamos receio de tratar com carinho, de demonstrar afeto.

Sinto falta de olhar nossos retratos, de reviver nosso dia em pensamento, de guardar cada data, cada frase, cada beijo.

Sinto falta do seu pouco que me era muito. Sinto falta de te ouvir dizer que eu era linda, a razão do seu sorriso, o motivo da sua alegria, mesmo não concordando contigo. Sinto falta de te ouvir dizer que sentia minha falta.

Do seu olhar carregado de afeto, do carinho no cabelo, de te ver debochando da minha cara. Do seu andar apressado para abrir a porta do carro, que sempre me surpreendia. De te ver baixando o som para me ouvir falar, ou aumentando para não me ouvir cantar.

Do seu bom dia, do boa tarde e do boa noite.  Da certeza de mais um outro dia contigo. De não ter medo de acordar sem você.

Do seu jeito manso de falar, da sua paciência e elegância, das surpresas. Do som da sua risada.

Sinto falta de sentir sua falta.
Nos meus dias, nas minhas conversas, na cama.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Amostra.

Uma noite qualquer, com as mesmas brincadeiras de sempre. E você me apareceu. Sorridente, sem muitas pretensões, já me conhecia. Sabia meus medos, meus sonhos, minhas fragilidades, sabia do meu caráter.  Eu também te conhecia, e isso era o suficiente para não querer me envolver e, ainda assim, me envolvi.

Com um pé lá e outro cá, fui me desviando de qualquer possibilidade de me apaixonar. Fugi o quanto pude, me escondi até onde deu, tentei sumir mas você sempre me achava.
Me achava e encantava, com as afirmações de não me fazer sofrer, de querer meu bem, sem muitas garantias.

E eu tão acostumada a fazer planos, só conseguia pensar o quão acolhedor era quando estava contigo. O quanto seu jeito e suas piadas, por mais bobas que fossem, alegravam meu dia.

Parava no tempo e me contentava em observar o formato da sua boca, fugir dos seus olhares, em pensar no quanto nossos corpos se encaixam e me perco no seu abraço, no cafuné que brota dos teus dedos, em como não deixar perceber quando a timidez transparece por meio das bochechas rosadas. (Mas quando a gente fica vermelho, não é o mesmo que dizer "sim"? – O pequeno príncipe)

As palavras ganharam novos significados, acordar é mais que despertar, é abrir os olhos para te desejar bom dia.
Gostar é mais do que achar bom, é estágio para algo maior.
Lindo não é apenas agradável, é algo radiante que merece apreço cada vez que é visto.
Saudade, que só existe na nossa língua, mais que recordação com dose de nostalgia, é algo que sinto até quando estou contigo, pois a companhia é tão agradável que lamento o fato de ter que me separar.
Vontade deixa de ser apenas o que move o querer, torna-se razão de todas minhas atitudes pare te ter.

Então, paro de fugir. Descubro que talvez sejamos melhores juntos. Com você o sorriso sai mais fácil, o beijo vem com gosto de quero-mais, a pele anseia o toque, as borboletas multiplicam no estômago, permanecemos livres mesmo juntos.

É chegada a hora de me entregar ao fato de estar apaixonada.



sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Sem título.

Eu precisava decidir, e por isso, antecipo nosso fim.

Antecipo a decepção e a saudade,
Antecipo a abstinência das intermináveis conversas,
Antecipo o choro e o desapontamento,

Não espero mais o seu bom humor matinal, não verifico o celular, não te espero com notícias nem te farei parte do meu dia.

Eu me prometo não te deixar me fazer sofrer.

Sendo assim, diminuo o tempo perdido.
Postergo o grande final feliz.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Para não pensar.

Outra madrugada, outra vez você. 

Você me bagunça, se aloja nos meus pensamentos, acha vazios e se apropria. Preenche.
Traz paz e me tira o sossego. Com sua certeza, me dá insegurança.

Dissimula, ironiza, pinta, borda e brinca. Fala sério também. Ganha.
Derruba barreiras, quebra fronteiras, e por fim, titubeia.
Você abusa, me usa, se aproveita de mim.

Eu observo demais, falo demais, demonstro demais, acabei também te querendo demais. Perdi.
Do desassossego da sua ausência, na insistência sem fé alguma, você me tira o rumo e o prumo, vira meu mundo.

Eu te visualizo, sensualizo, brinco de ser, fingindo não te querer. Querendo.
Me confundo. Faço planos e me desfaço. Tropeço e caio. Devaneio. Divagueio.

Entre beijos, desejos. Entre coxas, mãos bobas. Entre eu e você, mais nada. 

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Em vão.

Eu tento.
Tento não pensar em você, tento não te querer tanto.
Tento não partilhar contigo tudo que me acontece.
Tento não estragar tudo.
Meus planos, minhas músicas, minha rotina.

Eu estou sempre um passo a frente, pensando nas alternativas para me livrar - ou não - do medo.
Sei lá.

Tentando não fazer de você o meu primeiro pensamento do dia, tentando destruir antes que cresça, viajar na esperança de fugir. Mas onde eu estou, eu levo você.
E vou entendendo que aprendi com você, que se pode mudar e viver intensamente.

Mas eu lembro bem o que esse impulso fez comigo, o que essa euforia do surpreendentemente novo fez.
E começo a negar, como se desse para voltas atrás. Só que eu não desisto tão fácil, as feridas colocam o pé no chão.

Eu tento fugir...mas você já faz parte de mim.

Me diz, como fugir de mim?



sábado, 3 de agosto de 2013

Ressignificar.

Tenho um apreço todo especial por borboletas, são tão livres, leves, espalham beleza.
Mas as aprecio principalmente por seu sentido de evolução.
A borboleta nos ensina a mudar de estágio, de fase, uma mudança de vida que dura pouco mais de um minuto, a tão esperada saída do casulo.

Hoje eu as senti no estômago, e isso talvez seja um convite a uma nova fase.
Uma fase sem receios, sem medos. Uma fase de entrega. De dar novo sentido.
Eu nunca havia entendido essa afirmação que usam para descrever emoção. Até agora.
Foi estranho, foi como quebrar em mil pedaços e juntá-los em segundos.Um colapso sentimental.

A ordem é não ficar parada, dar o passo adiante. Sair do casulo, bater asas.
Voar para longe, mirar o alto e seguir um outro e novo caminho.

Mas a borboleta insiste em não se mostrar, não quer cumprir ordens.
Ela quer ficar ali, guardada, no seu ambiente tido como seguro.
Mas o que é mesmo segurança? Há tanto tempo não se sente assim.

Entender as borboletas, é aceitar o fato de que precisará dar algumas respostas sem nem tê-las formado ainda, e isso dá medo.

Acho que posso me acostumar com a presença delas mesmo sem entender.