quarta-feira, 2 de junho de 2021

Olhares.

Eu lembro como hoje a primeira vez que te vi, nossos olhares se cruzaram e dali para frente não mais desviaram. Naquele primeiro dia as palavras foram poucas, contrariando todas que se sucederiam. 

Muita coisa aconteceu desde aquele 5 de fevereiro. E nenhuma delas estavam nos planos.

Hoje, nossos olhares se cruzam ainda mais perto, a ponto de um cílio bater no outro. 

Hoje, após muita troca de olhares, conseguimos saber quando o outro quer falar e, as vezes, até o que quer falar.

Hoje quando os olhos se cansam, a gente só fala “oi, amor” e fechamos, porque já foi dito tudo.

Hoje, não há nada que eu deseje mais que continuar cruzando contigo: os olhares, as palavras, a vida. Encostando em mim os cílios, o sorriso, o corpo. Cuidando desse laço originado dos nós da nossa vida.

Hoje, meu olhar te diz o que eu ainda não tive coragem de falar. Mas é fato, eu não quero te deixar.

quarta-feira, 19 de maio de 2021

Sem título.

Da minha paixão infantil ao eros maduro dos teus lábios, inclino meu corpo ao abismo da nossa relação. 

Damos voltas vazias, tentando não cruzar nossos passos em caminhos solitários, fugimos de nós. Até nos encontrarmos de novo, de novo e de novo.

Do infantil ao maduro, declino ao seu mundo ficando ao seu lado, olhando seus olhos, sentindo seu cheiro e desejando seu gosto. Horas ouvindo, horas falando, sempre partilhando.

Pois quando estamos presos em nossos braços e amassos, partilhas e desejos, entre prosa e verso, tudo faz sentido e o universo é o finito selado em nosso doce beijo.


terça-feira, 11 de maio de 2021

Gostar de você.

 Eu falei que não queria me envolver. Que era passageiro. Eu queria.


Eu queria gostar menos das suas mensagens inesperadas. Queria não ficar ansiosa pelas terças-feiras que tradicionalmente nos encontramos. Queria que o sexo não fosse tão bom, que os seus tapas não fossem tão apropriados. Queria que tua barba não me arranhasse de um jeito tão gostoso e que seu abraço não levasse embora toda insegurança. Queria também que seus olhos não fossem tão profundos e que o beijo que você me dá na testa fosse ruim. Queria que o jeito que você me puxa pra perto incomodasse, que as conversas não rendessem tanto e que suas indicações de filme fossem péssimas. Queria que a gente se parecesse menos, que você não me compreendesse e que não fosse possível falar sério. Queria que suas piadas não fossem engraçadas, que teu riso não fosse leve e teu carinho fosse áspero. Queria que você dissesse as coisas erradas, que não lembrasse do que eu disse e não completasse minhas frases.

Queria gostar menos de você e do que construímos. Se eu pudesse, cumpriria o que disse de não me envolver.

Então não faria sentido desejar sentar no seu sofá, abrir um vinho e fazer planos. Desejar ser tua. Conhecer teus amigos, ouvir tuas histórias. Dançar com e para você, viajar.

Mas quer saber? Eu quero mesmo estar com você, agora. Vestida ou nua, tanto faz. Aqui ou no Rio, não importa. 

Sem medo, mesmo com as feridas abertas, mesmo sem acreditar em si. 

Aqui, eu e você, com passagem só de ida para nossa viagem pessoal, cheia de aventura, entrega e parceria, nas doses que você domina.

Quem sabe assim a gente não possa ser feliz juntos.


segunda-feira, 26 de abril de 2021

De interestelar.

Quando o vi sorrindo soube, no mesmo instante, onde se escondia o primeiro raio de luz do amanhecer, soube ali, que em seus lábios nascia o verão, que sua boca guarda o calor de um sol, ou melhor, de quantos sóis existirem nesse mundo. 

E se percebia isso não apenas em seu sorriso.

Percebia-se nos teus abraços calorosos, acolhedores, tão cheios de vida.

Percebia-se queimar uma paixão insaciável em sua boca, que de tão quente embriagava-se em beijos loucos, apaixonados, demorados, frustrados, raivosos e tantos outros quantos fossem necessários, desde que ainda fossem beijos. 

Eram tantos em tão pouco tempo que sua vida deveria ser estendida a eternidade para, enfim, encontrar a paz de um bendito beijo acalentador de seu espírito demasiado livre.

domingo, 4 de abril de 2021

Pra ele.

Em dias que tudo da errado, só o seu abraço me parece certo.

Mas logo com você, que é aberto ao incerto, não julgando se aquilo é correto desde que seja concreto.

Não havia pretensão, porém me ganhou a ponto deu não conseguir te dizer não. 

Em um gesto de gratidão, passei minhas mãos no teu cabelo querendo quebrar o gelo, suas mãos no volante e eu querendo eternizar aquele instante.

Cuida mesmo quando precisa de cuidado, escuta com sua dor no bolso e oferece um abraço.

Voltamos ao teu abraço, que tem braços quentes e coração descompassado, juntos parecíamos um nó embolado. Mas tá tudo ok, o dia terminou bem, afinal, acabou ao seu lado. 


domingo, 28 de março de 2021

Detalhes.

Não sei se sou intensa por me apegar a detalhes ou se ser intensa me faz me apegar aos detalhes. Tanto faz.


Eu lembro do cheiro da pipoca no corredor do cinema. 

A forma como os braços ficaram posicionados durante a conversa. 

A música que estava tocando durante o beijo.

A cor do céu naquele dia incrível.

O toque macio do tecido da roupa.

O jeito que as pernas se balançam na trilha sonora preferida.

O jeito de segurar o copo.

A mensagem inesperada.


Eu me apaixono pelos detalhes. Volto no tempo com eles, revivo memórias. Vou tentando encaixar as coincidências entre eles para criar a história e me divertir pensando no futuro. Torcendo para que venham muitos outros detalhes.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

Tour vida amorosa.

Tudo começou em 1998, com 7 anos.

Sim, com sete anos eu fui prometida ao Daniel. Éramos mais que amigos, uma parceria precoce. Amei Daniel com toda força que um primeiro amor pode existir, falávamos de terminar a escola e casar. Era pureza e inocência. Até Dani me deixar com seus 11 anos e eu ter meu coração partido pela primeira vez.
Eu prometi fidelidade a ele.

As paixões da escola começaram a surgir, teve Paulo Victor e Felipe, eu sempre gostei de homens mais velhos.

Em 2005 conheci o João, aluno novato da escola e por esse mesmo motivo cobiçado pelas meninas. Tive um longo ano tentando competir pela atenção dele e ele sem decidir muito bem, então vi que Daniel não seria meu único sofrimento. Férias escolares, pulamos para 2006. João parece ter decidido que me queria, mas aí já tinham outro novato, Diego.

Diego era lindo, olhos escuros, risada gostosa. Diego era doce, igual queijo com goiaba, não a toa ela tinha família mineira. Não demorou muito Diego tinha minha atenção e meu coração. Começamos a namorar, um namoro não autorizado pelos meus pais pela pouca idade mas já muito forte em mim. Fizemos cartas, planos, tivemos primeiras experiências juntos. Diego me traiu e terminamos o namoro depois de quase quatro anos juntos. Era frustrante perceber que não casaria com meu primeiro namorado, demorei a superar.

Chegamos em 2008, fim de namoro e eu conheço Davi, recifense. Davi tinha o pacote completo que toda menina gostaria após um namoro difícil. Davi cuidava, protegia, era cortes. Eu não estava pronta pra ser amada de novo e Davi seguiu.

Já em 2009, último ano na escola e surge o Rafael, que para dar continuidade a pessoas de fora do estado, era de Fortaleza. Rafael já existia desde 2008, mas eu estava cega tentando superar Diego e lidar com Davi. Rafael talvez seja o meu primeiro arrependimento. Fui injusta na forma como nos relacionamos e perdi a chance de amar alguém incrível. Amaria dividir a vida com ele.

2010 eu entro na faculdade, havia um rapaz que sempre ia as feiras de cultura da minha escola e calhou de fazer graduação na mesma instituição que eu. Nivaldo era encantado por mim, morava também no mesmo condomínio. Tínhamos muita coincidências, mas eu mais uma vez não soube amar, chegamos no meu segundo arrependimento. Errei mais uma vez.

No mesmo ano em um bate papo, conheci Maurício. Maurício foi o meu relacionamento a distância, ele morava em Rondônia. Maurício atravessou o país para me conhecer, foi um longo ano de descobertas juntos. Carnaval de 2011 nossa história acabou. Maurício queria que eu me posicionasse, eu não tinha força para isso. Terminamos.

Ainda em 2011, recém convertida e vivido meu encontro pessoal com Deus conheci Anderson, de Brasília. E como tudo na minha vida, foi muito rápido, passamos o ano planejando o futuro, eu finalmente tinha me aberto novamente. Mas Anderson sumiu por um mês, me traiu e casou com outra moça. Mesmo havendo tantos planos de casamento comigo.

O ano acabou e eu me prometi que 2012 seria diferente, mas me apaixonei por Elmo que parecia ser alguém que não era. Elmo ficava comigo e outra moça, que logo descobriu e ele terminou comigo. Na época senti demais, hoje quase não sinto necessidade de colocá-lo nessa lista.

2013 eu estava na minha melhor fase, havia me recuperado de todas as decepções, me perdoado e tinha liberdade de sempre estar com meus amigos. Não contava conhecer Luís Fernando, que não hesitou em me conquistar, resisti bastante, mas depois de sete meses eu já estava apaixonadíssima. Eu sentia algo que não sabia explicar, eu seria capaz de enfrentar o mundo por ele e assim o fiz nos quase quatro anos que ficamos juntos. Me dediquei de corpo e alma, até que ele descobriu que não me amava o suficiente e depois de muito nos magoar, acabamos definitivamente em 2017. Sem duvidas foi onde mais sofri, mas também onde mais aprendi.

2017 tinha tudo para ser o pior ano da minha vida. Se não fosse um carioca que em setembro resolveu me ensinar sobre amor próprio. Edgar cuidou de mim desde o dia que me conheceu e fez isso pelo mês inteiro que ficamos juntos. Edgar é uma das minhas melhores lembranças, é como um lugar incrível que você conheceu e quer visitar novamente.

Chegamos em 2018, meu coração parece ter amadurecido. Sem grandes movimentações, uma paixonite movida a necessidade de me provar por Bebeto que nem vale ser citada.

2019 o cenário parece não mudar muito, permaneço prudente até conhecer um Curitibano, que parecia ser tudo que pedi. Passei meses rezando para que tudo desse certo entre nós, mas era só mais um e tudo bem, as vezes precisamos recuar para aprender mais um pouco.

Seguimos 2020 intacta, sem nenhum formigamento na barriga. Nenhum sinal de paixão. Seguimos compreendo que algumas coisas não podemos voltar atrás e por isso tomamos muito cuidado ao colocar alguém na vida.